terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Em Puno : Passeio as Ilhas - Lago Titicaca - Lado Peruano

Um mini stress rolou minutos antes de embarcarmos. Sumiu uma das nossas mochilas e só nos demos conta no cais. E mochileiro sem mochila fica sem armário, carteira, farmácia, dispensa... Mesmo com toda pressão dos funcionários do barco e da agência para embarcarmos e resolver esse mal entendido na volta, batemos o pé e ficamos irredutíveis no cais. Impossível se desligar e curtir um passeio sabendo que sua mochila está ao Deus-Dará e você só resolverá isso 2 dias depois. Bate boca daqui, pede dinheiro de volta de lá, descobriram que a atendente do hostel levou uma de nossas mochilas para o depósito quando deveria levar para o ônibus. Portanto, olho vivo e faro fino: não desgrudem de suas mochilas. Com isso atrasamos e muito o passeio. Embarcamos quando todos já reclamavam bastante. E para nosso "sorte" esses "todos" eram "só" 11 argentinos! Fomos sacaneados durante todo o passeio. Mas apesar de argentinos, eram gente boa...rs

um argentino atrapalha muita foto, onze argentinos atrapalham, atrapalham, atrapalham, atrapalham, atrapalham, atrapalham, atrapalham, atrapalham, atrapalham, atrapalham, atrapalham muito mais...

Primeira parada: Las Islas de los Uros. A comunidade de Los Uros são famílias que vivem em ilhas flutuantes, feitas de uma espécie de palha chamada Totora, a 4000 m de altitude, no lago Titicaca . É impressionante o que os caras fazem para viver ali atualmente mas fico me perguntando na verdade como tudo isso começou. O que levou os antepassados desses caras que hoje vivem ali a largar a terra firme e criar toda uma logística para passar a viver praticamente boiando? Se eles cavarem centímetros, começa a minar água...Porra, sua casa toda, não só o teto mas as paredes, o chão e o terreno são de palha e chove pouco por ali mas chove: e aí? Me conta.

Eles atualmente já criam algumas espécies de animais para consumo ( aves ) e contam um sistema de captação de energia Solar. E como não poderia deixar de ser a onipresente Universal do Reino de Deus está presente ali, no cu da América Latina. Sério! E um Albergue. Ambos de palha, lógico.

Alimentando os animais. Placa solar ao fundo

Albergue

Depois da visita, partimos rumo a Amantani, aonde dormiríamos na casa de moradores locais.

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Custos:
Não tivemos custos pois praticamente passamos o dia no barco. Nas ilhas flutuantes não gastei nada.
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Soa desnecessário a justificativa mas as piadinhas com nossos hermanos são brincadeiras hein!
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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Trecho 05 : Aguas Calientes - Puno

Refeitos das andanças em Machu Picchu, é hora de partir.

Pegamos o trem Aguas Calientes - Ollantaythambo cedinho e imediatamente fretamos um táxi Ollantaythambo-Cuzco. Pesquise pq normalmente sai mais em conta fechar um táxi ( 4 pessoas - agregamos uma paulista conhecida na fila de MP) do que esperar por uma condução ( ônibus e vans ). Chegamos na rodoviária de Cuzco e de lá mesmo procuramos passagens Cuzco-Puno. Como compramos as passagens na hora, conseguimos "visitar" o ônibus antes de fecharmos negócio. Não aceite muita pressão com o papo de que as passagens acabarão, que o ônibus sairá em 3 segundos...Se puder ver antes, veja. Lemos muito relatos de gato por lebre. O ônibus é uma coisa na foto e outra na realidade. Apesar dos relatos, nada de anormal em toda viagem em relação aos transportes. Quem já morou no Norte e cresceu com o trânsito caótico do Rio de Janeiro, tira de letra. Quero dizer com isso para não se impressionarem com os relatos de caos que vendem por aí. Basta um pouquinho de bom senso em usar boas empresas. Para isso, pergunte sempre. No hostal sempre nos ajudaram. Mais confiável ainda se o hostal não vender passagens. No mais, se o banheiro do seu ônibus tiver uma parede de vidro quase até a altura do joelho, por favor, faça um bundalelê.

Chegamos em Puno e aqui é realmente uma impressão muito particular: Puno é feia pra caralho!!! Sei que essa opinião não é unânime, conheço gente viajada e exigente que gostou, mas ficamos em um local muito feio. Inacreditavelmente feio e caótico. Uma espécie de Chinatown + Vietna + Saara (centro do RJ).

Imaginem calçadas de 1m, com muitas pessoas. Nas ruas ônibus, táxis, moto-táxis, ciclo táxis, carros, bicicletas, triciclos, burro sem rabo...e todos, absolutamente todos, buzinando! As lotações simplesmente paravam na rua, fechando um ônibus, parando todo o trânsito e foda-se. É, isso aí: foda-se. Mas não um foda-se silencioso. Era um foda-se sonoro, com buzinas e gritos de todos os tipos. Descobri aonde os taxistas cariocas fazem pós-graduação em “fudelancia de escoamento viário”.

No hostel que ficamos havia cozinha e lá fomos nós para o Mercado Central comprar comida. Comprei um bife da tia de mão negra (negra mesmo...de sujeira ) e lhes digo: se eu não tive caganeira com aquela carne, não morro de nada alimentar nesta vida. O bife estava lá, entre cabeças inteiras de boi e restos de carnes não identificáveis, exposto na bancada. Não, não... se nem a cerveja é colocada na geladeira, a carne vai ser. Fala sério! Pedido feito, tia da mão negra pega os bifes (com a mão) como se fossem folhas de papel, na maior desenvoltura, joga uns bifes para cá, outros para lá, pega alguns e coloca dentro de um saquinho plástico e nos entrega.

Realmente é uma pena mas a impressão que fiquei de Puno foi essa.

A sorte de Puno é ficar a beira do lago Titicaca, sendo assim, base para a visitação das Ilhas do lado Peruano do lago.

Contratamos um passeio, no próprio hostel, de dois dias e uma noite para passar pelas Ilhas Flutuantes, dormir em Amantani na casa de nativos e, no dia seguinte, seguir para visitar e almoçar em Taquile.

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Dica e Custos:

Hospedagem Qoni Wasi : av. La Torre, 119 ( 051 ) 365784 - Cel. 9842082

Simples mas funcional. Cozinha, banho privado e internet. Para dormir vale. Se vai ficar mais tempo em Puno, não ficaria aqui pela localidade.
Quarto com banho privado para três pessoas : 10 soles

Passeio de dois dias e uma noite passando pelas Ilhas Flutuantes de Los Uros, dormindo na casa de Nativos em Amantani e visitando no dia seguinte Taquile. Apenas o almoço do segundo dia não incluso: 60 soles.

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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Machu Picchu

Saímos do hostel cedo e só pegaríamos o trem as 11 da noite. Logo, chegamos em Aguas Calientes (AC) moídos de cansaço. Stress total ao chegarmos e sermos abordados por "milhares" de moscas... Aquelas pessoas que falam exatamente o que você quer escutar, sendo verdade ou não, para que acabe no hostel dela e que não aceitam não como resposta. Se você ficar parado sem ir a hostel nenhum, elas não desistem. Se for comer antes de procurar hostel, é capaz delas se sentarem à mesa. Em um diálogo maior o quarto muda em questão de segundos, depende da sua pergunta. -Tem banho privado? Si, si... -Pena, queria bano coletivo -Si, si, Es bano coletivo. Quando vc chega ao hostel o banho pode ser tudo e só a partir dali é que realmente as informações passam a valer. Ficamos em um hostel muito ruim para o preço que estávamos pagando, e nada do que nos foi dito para irmos parar ali era verdade. Trocamos no dia seguinte.

Apesar ser ser a base de Machu Picchu e ter tudo para ser uma cidade agradável, em Águas Calientes senti um clima muito "turista é para ser explorado". Pela primeira e última vez apareceram os 10% na conta, até então novidade já que em Cuzco não houve. E após AC não teve em mais nenhuma outra cidade. E ainda por cima 10% de 24 soles eram 3.

Dia seguinte, de madruga, todos de pé para pegarmos o primeiro micro ônibus rumo a Machu Picchu.

Compramos os tickets para o micro ônibus e fomos comprar os ingressos. A bilheteria abre a partir das 5:30.

Dica: Só é aceito soles para a compra dos ingressos. Como dólares são aceitos em muito passeios oficiais ( por exemplo o trem de ollantaytambo e esse micro ônibus AC-MP aceita ) muitas turistas chegam a bilheteria somente com dólares na carteira. Vi turistas com muitos dólares mas sem soles suficientes para comprar o ingresso perderem muito tempo.

Não se preocupem que os micro ônibus saem ao lotarem, ou na pior das hipóteses, não lotando, de 30 em 30 min. Mas nas primeiras horas da manhã ( até umas 9hs ) não param de lotar e sair. Agora, de 10 a 15 minutos separam vc de MP. Aconselho pegar os primeiros micros para não sofrer com a fila na entrada do parque e conseguir estar dentro quando Deus Sol começar a pintar de dourado a Cidade Sagrada.

Levem lanches. Nos arredores de MP só há um hotel cinco estrelas e uma lanchonete para europeu. Nada ali é menos do que cinco vezes o preço da cidade. Se não tiver se prevenido, na fila do micro ônibus vendem se algumas guloseimas.

Já em MP, na fila ao lado esquerdo, tem um pequeno escritório de atendimento ao turista. Pegue um mapinha ali.

Uma vez estando lá meus amigos, é só diversão e cada um sabe o que é melhor para si. Pegar um guia e ter informações mais detalhadas; pegar um guia mais científico ou um mais fantasioso ( diante de tantas interrogações, uma dose de fantasia não faz mal a ninguem); andar a esmo sem guia e fazer o trajeto longo, o curto, o moderado ou todos; subir Wayna Picchu, andar objetivamente ou andar o dia inteiro... Seja qual for a escolha, o encanto é garantido.
Se estiver sol, água, boné e protetor. Alias, nesta altitude, água, boné e protetor sempre.

Uma das coisas que me impressionaram em MP não foi só ( "só"é sacanagem!) a cidade em si. Mas a região em que a cidade está localizada. São uns vales absurdamente abruptos, longos e verdes. Muito verdes. Com rios caudalosos no fundo desses vales que margeiam, lá embaixo, a cidade sagrada. A cidade está localizada em uma das montanhas mais altas mas não na mais alta da região. Aonde a vista alcança são picos, tapetes verdes, vale e rio. De quebra, no horizonte, ainda é possível avistar alguns picos nevados. Geomorfologicamente é muito diferente de tudo que estamos acostumados.

Quase indo embora, olha quem resolveu aparecer:
Me exauri de seis da manhã as cinco da tarde.

De volta Águas Calientes, ainda restou energia para tomar um banho de água termal. Piscinas de fundo de areia e chuveiros, todos com água aquecida. Vale pelo diferente. Achei que seriam crateras no chão, não urbanizada como piscinas, menos esquema "turistão". Mas estando lá, tem que ir.

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Custos:

Micro Ônibus : $6 por trecho
Entrada do Parque : 120 Soles
Banhos Termais : 10 Soles

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Vale

Hostal El Tumi : Esq. Av Pachacutec y Tupac Inca Yupanqui
(084) 21 10 62 - Em Cuzco : 229627
eltumimachupicchu@hotmail.com
Entre os terminais ( trem e micro ônibus para MP ) e os banhos termais. Na beira do Rio. Bem localizado. Preço justo.
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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Trecho 4 : Cuzco - Chinchero - Ollantaytambo

Bom, tudo muito tranqüilo, todos já aclimatados, é hora de irmos para Machu Picchu. O mal da altitude é cruel e vai te pegar, mas passa.

Muita gente deixa a mochila em depósitos nos hostals e leva só o necessário, principalmente quem vai de trem direto ( bem caro ) e quem pretende voltar a Cuzco. Não nos encaixávamos em nenhum dos dois casos mas fica a opção para quem quiser.

Pegamos um ônibus para Chinchero no terminal rodoviário, e não na rodoviária. Se informe no hostal ou no centro de info. Por falar nele, use e abuse do centro de informações em Cuzco pq realmente funciona.

Ônibus confortável mas apertado. Nada assustador. Como já escrevi aqui, deve ter sido em algum lugar entre Peru e Bolívia que se criou a expressão "sempre cabe mais um". Por causa do horário, havia muitos colegiais, que não pagam passagem, mas tb não podem se sentar. Saca a tampa do motor aonde os amigos do motorista sempre sentam para um bate papo? No Peru, ali é lugar marcado. Compra-se passagem para ir ali...rs. É sério. Se tiver opção, sente-se do lado direito. A paisagem é bem bonita.

Chegamos e fretamos um táxi-lotação para Ollantaytambo. Espera-se quatro pessoas para encher o táxi e racha-se a corrida. Sai o mesmo valor do ônibus. Comum e quase oficial. Fique tranqüilo que te abordarão na rodoviária em Chinchero.

Chegando em Ollantaytambo, fomos direto comprar o ticket do trem para Machu Picchu. Não tenha pressa e faça muitos cálculos na hora de comprar o ticket. Não acredite fielmente no que o cara do guichê disser pq mesmo não sendo mentira, haverá muitas alternativas àquele preço. Veja a tabela de dias, horários e preços afixada no guichê e pergunte muito. Por exemplo, se vc ficar apenas um dia em Aguas Calientes ( base para MP ) o ticket é um preço. Se vc ficar um dia a mais o ticket é muito mais barato. Faça cálculos e veja o que pode ser mais vantagem para o seu bolso e para o seu tempo/roteiro.

Dica: se chegar de táxi e for logo comprar a passagem, combine ainda em Chinchero para ser deixado no guichê que não é tão perto de ir com mochilão nas costas. Fica bem abaixo da cidade. Suba de mototáxi ( 0.50 centavos )

Acabamos que só conseguimos o ticket para sair de Ollamtaytambo no dia seguinte a noite. E adoramos.

Arrumamos um hostel barato, comemos uma pizza e fomos ver o que havia naquele lugar que parecia mágico. Flui uma energia muito forte naquele local. Não ficamos com dúvida disso.

Ollantaytambo é um vilarejo muuuito pequeno, cravado em meio a ruínas, onde desde os tempos dos incas não deixa de ser habitado. Muitos ali vivem fora do contexto de um mundo globalizado e cibernético. E nem por isso são menos simpáticos. Acordei de madrugada e fui a caça. Não consegui muita luz pq a cidade é realmente encravada no meio das montanhas mas como os turistas ainda dormiam, a cidade era autêntica. O figura passeando com um touro gigantesco na coleira e o casal de velhinhos que, na calçada, cortava com um serrote um leitão ensangüentado e viscerado ao meio se fosse a coisa mais corriqueira do mundo valeram a queda madrugal da cama.
Dica: aos fotógrafos mais empolgados, "propina" é lei. Mesmo sendo convidado a entrar na casa dos velhinhos primos do Jack estripador, quando terminei de fotografar e agradeci, eles esticaram a mão e eu não tinha um puto no bolso. Aperta dali, explica daqui, futuca de lá, achei umas moedas de dólar perdidas na minha segunda pele que me salvaram de tomar um serrotada na idéia...rs. Se não passa nem perto de vc - como não passa muito de mim- a idéia de pagar para fotografar, nem tente ou saiba que vais acabar tendo que pagar se clicar sem perguntar ( pedir) antes. Para abrir portas e sorrisos, levei daqui muitas figurinhas de campeonato brasileiro e chocolates para as crianças. Eles também curtem muito futebol. Principalmente o nosso. Ou vc pode acabar com a imagem de um velhinho com um serrote cheio de sangue na mão dizendo - Siempre hay propina.

Mas uma vez optamos por não visitarmos as ruínas já que estávamos à alguns quilômetros de MP. Clicamos de longe, olhamos de fora, peguntamos informações mas não pagamos para ir. Inclusive ACHO que essas ruínas fazem parte do tal passaporte adquirido em Cuzco.

Também me chamou atenção o artesanato local. Muito mais trabalhado e característico ( menos industrial e turístico ) do que em Cuzco.

Para economizar, almoço em frente ao Mercado Municipal. Fica a dica: normalmente sempre a região com os melhores preços da cidade.

A noite, trem para Águas Calientes.

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Custos :

Hostal em Cuzco : 80 soles ( 20 a diária x 4 dias )
Táxi do Hostal para terminal : 3 soles o carro (1 soles para cada )
Busão para chinchero : 2 soles
Táxi Chinchero - Ollantaytambo : 3 Soles
Janta em Ollanta ( Pizza + Cusquena ) : 22 soles
Hostal - uma diária : 10 soles
Almoço em frente ao mercado : 4 soles
Trem Ollantaytambo - Águas Calientes - Ollantaytambo - Águas Calientes ( ida e volta ) : $ 47 ( dólares )

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sábado, 27 de outubro de 2007

Em Cuzco : sendo amigavelmente "enrolado"


Optamos por não comprarmos o passaporte que dá acesso, num só pacote, a várias ruínas e museus. Não estávamos nem com muito saco nem tempo para os museus. E ruína por ruína, ficaríamos com o auge de Macchu Pichu. Visitamos as igrejas nos horários da missa e um museu que não fazia parte do passaporte. Mas coloque na balança se vale a pena abrir mão das atrações do passaporte. Curtimos mas não sei se foi a opção mais acertada.

Catedral, Bandeira de Cuzco e do Peru

Digo que curtimos porque em uma visita despretensiosa ao Cristo Branco nos ofereceram a opção de um passeio à cavalo pelos arredores das ruínas que circundam Cuzco. Adoramos. Primeiro que andar a cavalo já é um evento para um carioca. Por mais meio do mato que eu seja, andar a cavalo não faz parte da minha rotina. Segundo que não era um pangaré em Paquetá. Era andar a cavalo nos Andes!!! Ok, ok, confesso: era um pangaré. Mas ainda assim um pangaré andino...rs. O cavalo ignorava por completo qualquer tentativa de interação. Apenas fazia o caminho dele, no automático. Rimos bastante.

Lhama nos arredores de Sacsayhuaman

Essa visita ao Cristo Branco começou quando fui abordado muito cedo nos arredores da Praça por uma criança de uns 10 anos. Para variar, a abordagem começou com aquele velho papo "Lula, quatro dedos, moeda real, capital brasília..." (quem leu o post anterior entendeu ). Ele estava se oferecendo para ser meu guia pela cidade, sem custo. Caso eu gostasse, dava de "propina"( gorjeta ) quanto achasse merecedor. Combinei com ele tínhamos que ir no hostal, acordar as meninas, tomar café e só depois podíamos sair. Ele me alertou que tudo bem mas que não demorássemos pois a tarde ele tinha ensaio para o desfile da parada militar que aconteceria no dia seguinte, domingo. E justamente para esse desfile ele não tinha sapatos. Incluimos o Pablito à mesa e tomamos nosso café. Mas ele não tinha sapatos para o desfile.

E lá fomos nós andar pela cidade. Entre uma atração e outra, sempre que podia os tais sapatos que ele não possuía para o desfile aparecia na conversa. E assim foi a manhã inteira.

Como dito anteriormente, acabamos arrumando um passeio de cavalo que entrou tarde a dentro, mandando o ensaio do Pablito para o espaço. Mas ele estava tão feliz andando a cavalo que quase esqueceu de falar dos sapatos. O que seria um ensaio perto disso?

Voltamos para a cidade, logicamente pagamos a propina que o Pablo merecia e nos cotizamos para dar os soles para os tais sapatos. Não sem antes combinar que nos encontraríamos no dia seguinte para ver o desfile e os novos sapatos.

Muro Inca

Dia seguinte acordo bem cedo e, antes de seguir para o desfile, fui dar uma caminhada para o lado contrário ao da praça. Estou sentado em frente ao muro Inca pensando como é que esses malucos conseguiram fazer isso quando vejo o Pablo com um casal de turístas. Sem perceber que eu estava sentado ali a explicação segue e não tenho como não escutar ele falando dos sapatos que ele não tem para o desfile( que estava acontecendo naquele momento...rs). Penso em quantas vezes ele já "ganhou" os tais sapatos. Coincidentemente o casal era brasileiro e vieram falar comigo. Pela facilidade do idioma e pelo companheirismo da pátria pensei em desmascarara história dos sapatos mas resolvi que era justo. Pablito não enrorecebia a gorjeta dele em sapatos e passeios a cavalo. Só isso.

As meninas, aonde estavam? Lá no desfile, procurando o Pablito.

Umas das características de Cuzco e caber no bolso e nos gostos de muitos. Pode ser divertido sair de dia ou de noite. Gastar muito ou quase nada. "Sexo, drogas e rockroll"ou ir a um teatro. E não importa, aonde vc for ouvirá todos os idiomas possíveis. Isso foi uma das coisas que me chamou atenção em cuzco: gente de todos os lugares do mundo.
Fomos ao famoso Mama Africa depois de atravesar a Plaza numa noite muuuito fria. Para esquentar, mojito!!!

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Custos ( dois dias ):

Passeio a cavalo - sábado: 25 soles
Almoço de Rei ( bom restaurante ) - sábado : 35 soles ( bebida + comida + sobremesa )
2 Mojito - sábado noite : 15 soles
Almoço - Angelo Cafe e Restaurant - Plazoleta Santa Catalina : 17 soles
Festival de Carporales - Teatro municipal : 10 soles
Cusquena noite : 8 soles
Compras para janta e café da manha para os dias em Cuzco : 54 soles divididos por 3 ( 18 para cada ) : uma das vantagens do Casa Grande era poder usar a cozinha.

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Vale:
Mama Africa : Portal Arinas, 191

Você de frente para catedral, Mama Africa no canto esquerdo da Praça.


Angelo Cafe e Restaurant - Plazoleta Santa Catalina : Comemos quase sempre aqui. Preços justos, atendimento normal e bebida gelada. Perto do Casa Grande Hostel.

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Em Cuzco : Plaza das Armas

Ciente que as dores de cabeça mais cedo ou mais tarde passariam, ou pela overdose de chás de coca ou pela de Dorflex, comecei a relaxar e me encantar mais com a cidade. Acordei no dia seguinte muito cedo, peguei o equipamento e saí sedento por fotos.


Cuzco realmente faz juz a toda sua fama e mística de capital, seja do império inca, ou
"Capital Arqueológica da América". É um museu a céu aberto. Partindo do príncípio que você ficará nos arredores da Plaza das Armas, tudo a sua volta é histórico. Muitas igrejas, muitos casarios coloniais com suas fachadas e varandas talhadas, muita arquitetura contrastante ( incas x espanhóis ), o chafariz central, assim como a Praça que ele se localiza é um caso a parte. Vale sentar-se ali durante algumas horas e ver o tempo passar.

Dica: Fiquem espertos porque agora o frio já começa dar as caras. Após o por do sol a temperatura cai muito e o frio chega de verdade. Casaco sempre a mão. Dei uma de machão e fiquei na transição da tarde para noite sem casaco para fazer essa foto da praça. Quase virei picolé. Estou falando de Junho.

E por falar em sentar na praça, o único real incoveniente em Cuzco são os vendedores ambulantes. Uma espécie de flanelinhas das praças. Se você parar para ver as horas, para respirar, para amarrar o sapato, coçar a orelha, para qualquer coisa, já era: terá um vendedor ao seu lado educadamente, porém muito insistentemente, te convencendo a comprar os produtos dele. Pintura, porta-trecos, passeios, postais, roupa, casaco, tocas, luvas... Os mais cativantes são as crianças que vendem "toca para dedo". Elas sabem detalhes de qualquer país para pode chegar nos turístas. Nome do presidente, moeda, capital e meia dúzia de particularidades. Pronto. Foi o suficiente para você baixar a guarda e terás que ver a "toca de dedo" do inca, da lhama, do espanhol - prepare-se que o melhor vem agora - do chapeuzinho vermelho, do coelinho da páscoa, do chaves, do chapolim, da branca de neve, da cinderela e até do Sherek. Consegui parar a tempo de algum deles tirar o Pelé ou Ronaldinho e acabar me convencendo, em prol da criatividade, a comprar. Como no parasol de uma lente minha havia uma bandeira do Brasil, elas chegavam perguntando se eu era do Brasil. Ao responder que sim, elas falavam que eu era do "país do presidente Lula que só tinha quatro dedos em uma das mãos, cuja capital era brasília e a moeda era o real" ( entre aspas pq a frase não é minha...rs). E eu adoro criança. Não conseguiria interromper tamanha demonstração de jogo de cintura e criatividade. Depois da quinta ou sexta criança, para encurtar a negociação de paz, quando ela me perguntava de que país eu era, já respondia que era do país cujo presidente era o Lula, que só tinha quatro dedos em uma das mãos, cuja capital era Brasília e a moeda era o real...rs. Decepção e desarme total para eles. Triste mas necessário. Portanto prepare-se para falar muitas "gracias, no, gracias". Cheguei ao ponto de, depois de quase duas horas sentado esperando a melhor luz para fazer uma foto ( essa do chafariz ), não aguentar e pedir por favor para eles me deixarem ficar quieto curtindo a praça só um pouquinho...sem precisar não querer comprar nada. Acho que eu pedi com tanto carinho que até o policial que estava perto começou a me ajudar. Não vale se estressar até pq você é turísta. Para eles, estamos ali para comprar. Não adianta que não sejamos europeus ou americanos. Que sejamos "hermanos". Isso não cola. Para eles, você continua sendo uma fonte de renda ambulante e necessária. Apenas seja educado e prepare o espírito.


Foi na praça que eu comecei a traçar uns paralelos com a nossa situação, particularmente do Rio de Janeiro, minha realidade mais próxima. Cuzco, aos meus olhos, me pareceu uma cidade extremamente civilizada. Policiada, sem avanço de sinais, sem lixo no chão ( Básico e assustador: eu não consigo pensar em nenhum local público no Rio de Janeiro sem lixo no chão ), com um povo extremamente educado ( sim, os ambulantes eram chatos mas sempre davam bom dia, tarde, noite, agradeciam, davam informações. A mesma coisa para o taxista que irá tentar educadamente te enrolar com o preço do corrida). A Plaza das Armas é tão limpa, tão limpa que mesmo um mal educado ficaria constrangido de jogar algo no chão. Sempre no meu campo de visão ou tinha um guarda municipal, ou um guarda de trânsito pitbull nervoso com sue apito ou um policial militar, ou os três. Pensei em quantas vezes eu sai para fotografar em postos turísticos do Rio e fiquei cabreiro por não ter policiamento. Em quantas vezes eu aproveitei um evento especial ( uma reunião de cúpula no Copacabana Palace, por exemplo ) para aproveitar o ocasional policiamento reforçado para sair para fazer fotos. Ainda temos muito que caminhar!


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terça-feira, 23 de outubro de 2007

Chegamos em Cuzco : adaptação

Um dos acertos dessa viagem foi começarmos as atrações por Cuzco, cidade mais ao norte visitado por nós, e virmos descendo em direção ao Rio de Janeiro. Como o mal da altitude faz parte do pacote, acabamos "escolhendo" passar mal na capital do Império Inca, uma cidade muito bonita e acolhedora. Mais para o final de viagem percebemos como isso foi proveitoso. Passar mal em La Paz, o mais comum já que a maioria das pessoas estão subindo, teria sido um início extremamente frustrante. Em Cuzco encaramos apenas como um mal necessário.

Ironicamente fomos alternando os enjôos e as dores de cabeça: passamos mal em dias diferentes e alternados. Aline logo que colocou os pés na cidade, Lianna no dia seguinte e eu no terceiro dia. No quarto já estávamos de saco cheio de tanto chá de coca e dieta saudável que resolvemos encarar logo uma porrada de Dorflex e fazermos as pazes com os doces e as cervejas.


Tivemos a sorte de ficarmos em um hostal muito agradável chamado Casa Grande, previamente indicado por um amigo. Limpo, silencioso e com preço justo. A uma quadra da Plaza das Armas. Sorca, dona e figuraça mor, nos recebeu muito bem e nos deu todas as dicas para nos virarmos na cidade.

Neste inicio, aguente a empolgação e descanse. Alimentação leve, evitando frituras ( difícil por lá ) e açúcar, ajuda. Mas descanso é fundamental para o corpo se acostumar a altitude.

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Custos:

Hostel Casa Grande
Santa Catalina Ancha 358, Cusco, Peru tel. 084 264156 Fax. 084 802582 : quarto com banho privado e possibilidade de uso da cozinha. A meia quadra da Plaza das Armas : 60 soles / 3 ( 20 por pessoa )
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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Trecho 3 : Puerto Maldonado - Cuzco

Por causa da greve dos transportes do dia anterior, ficamos com medo de não conseguirmos passagem já que havia muito mais demanda do que oferta de passagem. Acordamos as 7 da manhã para comprarmos e conseguimos bilhetes para as 14hs.

ÔnibusAnfíbio4x4OffRoadSaiDaFrenteQueEuQueroPassar

Dica: Compramos passagens na Civa, recomendado pelos locais como a melhor empresa. Calefação no ônibus não é nada supérfluo. Lembre-se que apesar de estarmos ainda na Amazônia, o ônibus a caminho de Cuzco subirá a mais de 4.000m de altitude. Por isso, leve casaco também.
Para passar o tempo, havia visto no hall do hotel ( tradução: na parede do pulgueiro...rs ) um cartaz sobre um borboletário nos arredores da cidade. Lá fomos nós. Chegamos e fomos logo expulsos pelo preço do ingresso. $25 para ver borboleta? Sem chances! Para nossa sorte em frente havia um serpentário. Conseguimos chorar um pouco e pagamos 3, entramos 4.

Voltamos a tempo de tomarmos um banho e fazermos umas compras na farmácia: água e umas "pílulas de oxigênio". Pois é...peça assim na farmácia que eles vão entender. Um médica amiga que nos encontrou mais a frente em Copacabana - Bolívia, leu a composição e é na verdade um Benegrip peruano.

Serão 20hs de ônibus sem banheiro, com somente uma parada, em uma estrada muito sinuosa. Este trecho faz parte da "Carretera Transoceânica" ( Rio Branco - Lima ) que para promover uma integração maior entre Brasil e Peru, o trecho entre Rio Branco e Cuzco será asfaltado. Seu asfaltamento está previsto para 2009. No momento este trecho está pior do que antes pois em uma estrada que mal cabe um carro, só tem trafegado caminhões, tratores, máquinas pesadas e o nosso ônibus. Por vezes jurávamos não ter espaço para o ônibus passar. Apesar disso, a estrada é transitável e por contrato a empresa responsável pela obra tem que deixa-la assim durante todo o ano, inclusive durante as chuvas.

Almoce pois a janta é em um local, para ser bondoso, muito desinteressaste. Várias barraquinhas de madeira na beira de uma estrada de terra cheia de outros veículos. Para a maioria das pessoas jantar ali será impossível. A janta será um "pan com queso".

Logo ao subir no ônibus, depois da janta, perguntamos ao motorista aonde seria a próxima parada. A resposta: em Cuzco. Isso aí. 20hs de estrada e apenas uma parada. Dormimos rezando para o xixi madrugal não se manifestar. Óbvio que o ônibus não tinha banheiro. Pra que né?

4.000 de altitude. Amanhecendo o dia. Ônibus para no meio do nada. Motorista grita algo não "entendível". Todos começam a descer. Mulheres para um lado, homens para o outro. Fazer xixi vendo montanhas nevadas no horizonte, no meio da estrada, a muuuito menos de zero graus é uma sensação................................................ interessantíssima!!!!!!!!

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Gastos:

Pulgueiro : ilegível. Meu caderno molhou nesta página mas nada mais do que 12 soles
Café da manha - desayuno : 3 soles
Serpentário : 15 soles
Moto Táxi ida e volta Serpentáro : 4 soles
Passagem na Civa PM - Cuzco : 20hs de viagem : 50 soles
Almoço na Civicheria em frente ao embarque : 8 soles

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sábado, 29 de setembro de 2007

Trecho 02 : Rio Branco - Puerto Maldonado

Dica: Atenção para a Federal de Brasiléia pois se pegar a condução diretamente para Assis Brasil, que é o mais obvio a se fazer, terá que voltar a Brasiléia pela ausência do visto de saída. O último posto da Federal é o de Brasiléia e não há o que se fazer em Assis Brasil a não ser voltar. Essas informações sobre vistos de entrada e saída são contraditórias mesmo dentro da própria Polícia Federal. Se você de lambuja ainda colocar a imigração peruana na jogada, é um samba do crioulo doido. Mesmo de posse do visto de saída, por um deslize meu e do Policial Federal que me atendeu em Brasiléia, meu passaporte não foi selado, registrada, carimbado, avariado, e rotulado... Se não fosse minha cara de cachorro pidão, teria que voltar. Fomos avisados por um funcionário da rodoviária de Rio Branco desta pegadinha. Os dois trechos ( passagens Rio Branco - Brasiléia - Assis Brasil ) podem ser comprados na rodoviária de Rio Branco mesmo. A soma das duas passagens não sai mais caro e a perda de tempo é mínima.

Em Assis Brasil, último destino em terras brasileiras, sem dúvida nenhuma um táxi irá te abordar. No pacote, ele ira te levar ao posto da imigração em Iñpari para dar a entrada no Peru e te levar a Puerto Maldonado, distante 4:30hs dali. Estrada de terra mas absolutamente transitável. Não espere um táxi londrino mas tenha fé que tudo dará certo!

E foi só sair do Brasil que as histórias começaram.

Na Polícia Federal, agregamos um companheiro espanhol que estava a 8 meses rodando o mundo. Vocês não podem imaginar a felicidade do rapaz ao voltar para um lugar que falasse o idioma dele. Como se não bastasse, ele ainda ficaria quase 5 horas confinado em um carro com um taxista, normalmente famosos por falarem muito. Foram nada mais nada menos que cinco horas de um papo empolgadíssimo. De política internacional americana, passando pela situação de Cuba e Rússia, chegando a cremação de corpos na beira do rio Ganges.

Lá pela segunda horas de muito chão, pó, poeria ( minha licença ao Oswaldo ) passamos, na beira da estrada, por uma família - pai, mãe e chico de colo com suas respectivas mochilas. Nosso táxi para, eles conversam ao jeito deles - muito alto, muito rápido e com muitos gestos, e de repente o motorista abre a mala e lá entram todos. Agora me expliquem: como que um carro ( uma espécie de Parati ) consegue, levando 5 adultos + 4 mochilões ( o "ão" do mochilão vocês podem tomar por base que o espanhol estava a 8 meses viajando e nós apenas começando), oferecer, e o pior, aceitarem, uma carona. A família só conseguia gritar lá de trás "ventana, ventana" para abrimos a janela antes que eles morressem sufocados. Preferiram soterrados na poeira!


el super táxi

Chegasse a beira de um rio e após uma travessia de canoa, Puerto Maldonado nos esperava. Chegamos exatamente no meio de uma greve de transportes em protesto a uma taxação governamental aos povos da floresta. A cidade estava bem cheia de trabalhadores de outras localidades e de pessoas que estavam de passagem. Ambos não conseguiram transporte para sair. Com isso, muitas hospedagens lotadas mas com sorte conseguimos achar um hostel "agradável". Nossa agregado ajudou bastante...e continuou falando.

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Custos
Passagem Brasiléia - Assis Brasil : R$9
Rio Branco - Brasileia : R$19
Taxi Assis Brasil - PM : 10 bol por cabeça
Travessia canoa : 1 bol

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Fiz contato com uma amiga que fez o trajeto na época da chuva ( jan /2008).
Vale frizar que era um LandRover
Aí está o relato dela:

"Já passamos pela Estrada do Pacífico e foi durante o dia e com chuva.
A estrada está aberta todos os dias e as obras continuam. Os trabalhadores ajudam quando está com risco de deslizamento.
Sinceramente, achei que fosse bem pior!!!
Acho que o negócio é vir devagar e com muita atenção.
Nós pegamos alguma chuva e fizemos a estrada em dois dias.
Fizemos no primeiro dia até uma cidadezinha chamada quizemil (12 horas de viagem) , dormimos numa espécie de alojamento e no dia seguinte fizemos a segunda parte chegando a Puerto e depois a Cusco.
Acho que só é preciso cuidado e prudência, os motoristas de caminhões jogam o carro em cima da gente e se bobear, vai precipício abaixo."

Trecho 01 : Rio de Janeiro - Rio Branco ( ACRE )

Para situar: essa viagem será feita por três pessoas. Eu, Aline e Lianna, respectivamente um fotógrafo, uma bióloga e uma designer. Todos três cariocas sendo que a Lianna se encontrava em Manaus. Aline havia ido para Manaus encontrar-la e por isso da viagem teoricamente começar por Manaus. Não consegui sair a tempo por problemas com o passaporte e acabei abortando a etapa Manaus. Enfim, me encontrarei com as meninas em Rio Branco e entraremos no Peru ( !!! ) via Amazônia Acreana para começamos a mochilada.

Chegando ao Aeroporto em Rio Branco, de cara já ganho um presentão: duas horas a mais de sono. Por causa do fuso horário, volto no tempo duas horas. Como a idéia desta vez não é conhecer Rio Branco, o objetivo é rumar direto para um pulgueiro em frente a rodoviária, descansar e encontrar com as meninas no dia seguinte o mais cedo possível. Como a maioria dos aeroportos, esse também fica afastado da cidade. Para me inteirar do tempo e do preço, lá fui eu perguntar para um funcionário-amigo relâmpago. Como se não bastasse apenas me dar a informação, ( corrida aeroporto – rodoviária : R$50 ), ainda me arrumou um táxi de fora do aeroporto, que por te ido lá levar uma passageira e ter que de qualquer maneira voltar a cidade, me cobraria mais barato. Uma das vantagens de viajar sozinho é a necessidade constante de se fazer novas amizades.

Dica: para qualquer turista, mas principalmente para os que estão indo para Peru e Bolívia, sempre antes de pegar um táxi, pergunte o preço da corrida para alguem fora do contexto. Parece que não existe a palavra taxímetro em espanhol! Será sempre preço acordado.

Rio Branco, como toda cidade do Norte, aos olhos do Sudeste parece, no mínimo, estranha. Para quem está acostumado com a ostentação onipresente de Rio e São Paulo, ao encarar a simplicidade do Norte, toma um baque. Como pode a rua da night, ou da balada como preferem os paulistas, ser apenas um calçadão beira rio com barzinhos muitos deles feitos de madeira? Cadê os carros importados, as lourassapatosaltos e os pitboys? Rio Branco, ou o Norte, me pareceu de uma simplicidade muito tranqüila. Digo o Norte porque tudo ali me lembrou muito Belém, onde morei por algum tempo.

Dormi em um dos vários pulgueiros em frente a rodoviária. R$15 com café. Café de pulgueiro. Pão com manteiga, café com leite.

Dia seguinte me encontraria com as meninas as 6 da manha e partiríamos rumo a Assis Brasil.

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Gastos:

  1. Passagem RJ- RB, escala em Brasília. Gol Voo 1760 comprado em 01/06/07 : R$468,62
  2. Táxi em RB, Aeroporto - Rodoviária / Pulgueiro : R$45
  3. Pulgueiro com café : R$15
  4. Lanche Janta : R$3
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quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Mochilada Peru - Bolívia : Planejamento

Toda viagem começa a nascer antes de se colocar o pé na estrada. Principalmente viagens grandes e para locais poucos desenvolvidos - como pensamos erradamente ser a nossa América latina turística. Planejamento, documentação e um mínimo de pesquisa sobre o local sempre ajudam e fazem parte da "ânsia pré-viagem".
No meu caso, ânsia no sentido mais amplo da palavra pois a viagem quase foi cancelada por causa de um simples certificado de reservista aliado a um (des)serviço público burocrático e contraditório + uma greve da polícia federal. Fui simplesmente 4 vezes ( 4 manhãs inteiras ) a junta militar e entre informações cruzadas ( a atendente na terceira vez não entendia como ninguém - ela!!! - resolvia o meu problema ) e filas intermináveis repletas de adolescentes pré militares, consegui o certificado. Mas consegui 3 dias da data que eu queria sair daqui do Rio.
Como não era possível absolutamente tudo dar errado sempre, Murphy papou mosca e o passaporte foi feito na emergência da Polícia Federal. Peguei-o nada mais nada menos que uma hora antes do voo. Mas consegui!

Como o objetivo desse blog também é facilitar a vida de quem pretende fazer essa viagem, aí vai:

Vacina de Febre Amarela: Sim, é mais do que necessária. Para ter efeito tem que ser tomada até 10 dias antes do embarque. Mesmo atravessando a fronteira por via terrestre, divisa Acre-Puerto Maldonado, o que passa uma impressão de "terra de Malboro", fui questionado em todos os postos de fiscalização sobre a caderneta de vacinação.
A vacina se aplicada em uma das unidades de vacinação da Anvisa, já lhe garante acesso ao Certificado Internacional de Vacinação (CIV).
Caso a vacina seja aplicada em uma das unidades do SUS, em postos da Rede Municipal ou Estadual, será emitido um Certificado Nacional de Vacinação (CNV), que devera ser levado a um dos postos da Anvisa credenciados para a emissão do CIV. O CIV deverá ser assinado no local, logo se faz necessária a presença do titular da CNV.

Passaporte: Segundo o consulado do Peru e da Bolívia, não é necessário passaporte para atravessar do Brasil para nenhum desses dois países. No caso dessa mochilada o passaporte seria necessário para atravessar de um segundo país para um terceiro ( no caso do Peru para a Bolívia ). Porém mesmo que você pretenda visitar apenas um país, isso me parece uma enorme lenda urbana. Não vi ninguém apresentando carteiras de identidade e em alguns casos só era possível algumas comprar com a apresentação do passaporte. É um saco chegar de madrugada para ficar na fila da Polícia Federal...perder uma manhã inteira...não é tão baratinho... mas tem que ter. Eu não me arriscaria a ir sem.

Todas as informações estão detalhadas no site da Polícia Federal. Ponto para a Federal em disponibilizar tudo mastigado on line.

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Depois de escrever este post, tomei conhecimento de muitas pessoas que foram somente com a identidade. inclusive contrariando a informação obtida por mim ( pessoalmente ) nos consulados do Peru e da Bolívia. Ou seja, é possível viajar com a identidade. Mas continuo tendo a opinião que não vale a pena o eventual desgaste.
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Guia: saímos com o Guia Criativo para o Viajante Independente na América do Sul. Feito por e para brasileiros, vale cada centavo. Limpo, criativo e funcional, cumpre sua função. Como em uma rota tão clássica muitos estabelecimentos abrem e fecham de uma temporada para outra, 100% de atualização é utopia. Portanto uma pesquisada com amigos que acabaram de ir e na internet sempre vale. Na net, confie mais nas informações de pessoas e experiências, se possível recentes, do que em sites dos próprios estabelecimentos.

Dificultando Murphy: faça "backup"dos seus documentos. Tire xerox dos seus documentos e deixa ela guardada em algum local da sua mochila. Uma artimanha que alguns fazem também é digitalizar e enviar para o próprio email para ter como acessar os dados e se for o caso imprimir.

E ainda sobre "perda" de documentos, fiquem esperto com furto. Como somos de um país onde a mistura de raças é onipresente, nosso passaporte vale muuuito no mercado negro pois qualquer um pode se passar por brasileiro. Durante toda a viagem, aconselho a não desgrudar do passaporte. Fico sempre com uma segunda pele com passaporte e $$. Deixar o passaporte no hotel e sair não é uma boa opção.

Cambio: por incrível que pareça, o melhor cambio que eu consegui foi sacando diretamente na moeda local com cartão de crédito internacional. Na fronteira entre Brasil e Peru, troquei uns poucos cascalhos apenas para conseguir me virar nos primeiros momentos. Depois, só sacando em caixas eletrônicos. Não tive dificuldade em achar caixas com bandeira PLUS para saques. Verifique se tem taxa e de quanto é. Varia muito de banco para banco. E como a taxa normalmente é por saque, vale mais a pena sacar um quantia suficiente para estadia no país do que ficar pegando de migalha em migalha.

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" A louca agitação das vésperas da partida!
Com a algazarra das crianças atrapalhando tudo
E a gente esquecendo o que devia trazer,
Trazendo coisas que deveriam ficar...
Mas é que as coisas também querem partir,
As coisas também querem chegar
A qualquer parte! - desde que não seja este eterno mesmo lugar...
E em vão o Pai procura assumir o comando:
Mas acabou-se a autoridade...
Só existe no mundo esta grande novidade: VIAJAR"

Mário Quintana

domingo, 3 de junho de 2007

A que venho...

Sempre viajei muito e sempre tive muita vontade de escrever e dividir as experiências da estrada. Confesso que nunca tive paciência nem disciplina para me dedicar a um blog. O site e os intermináveis gigabites de imagens para tratar sempre acabam com as minhas horas, e comigo, na frente do computador. Mas chegou a hora. Viajo amanhã ( Jun / 2007 ) para o Acre e de lá entro no Peru ( !!! ), desço para Bolivia, passo pelo Chile, volto para terras Bolivianas cruzando o Salar De Uyuni e termino a viagem em Santa Cruz de La Sierra, 30 dias depois. Termino em partes. Dali eu decido se volto ao Brasil, o que por si só já é uma viagem, ou se continuo a "mochilar". Dependo de muito fatores: bol$o, trabalhos aqui no Rio, compania...
Motivo melhor do que esses para começar a escrever fica difícil de achar.

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