Por razões pessoais, mudei a plataforma do nosso blog e comprei um domínio próprio.
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aguardo sua visita
Flavio Veloso
Em minhas andanças atrás de boas imagens, acabo vendo, sentindo, conhecendo e pensando algumas coisas que acho valer a pena dividir. Esse espaço foi criado para isso. Nada do que aqui estiver escrito é necessariamente verdade. É apenas a minha verdade!
Divirtam-se!
FLAVIO VELOSO
Acordamos e o dia estava nubladaço. Sem chances de um mergulho! E praia, no frio, com tempo nublado não rola. Comçamos a agitar para voltar e conseguimos uma carona (paga) direto para Copa no barco dos velhos xamas das oferendas do dia anterior. Voltamos ao lado de um velhinho xamã-sinistro que era "o tal" das plantas medicinais. Mas era impossível para o senhorzinho entender que não falávamos castelhianos nativo, muito menos aymará. Ele falava em um ritmo frenético que pensei em um possível enfarte dele a qualquer momento. Quando descobriu que eu era fotógrafo, quis me explicar todas as fotos dos livros de plantas medicinais publicados por ele. Desde 1970. Todas as 3135464000...rs Saí com dor de cabeça mas com o espanhol afinadinho e craque em leitura labial. Conseguimos comprar as passagens para depois do almoço e neste meio tempo resolvemos ligar para casa.
Dica: descobrimos que sai muito mais barato comprar um cartão para celular pré-pago e utilizar o telefone celular de algum morador. Normalmente no próprio local onde se compra o cartão, o funcionário irá te oferecer o telefone dele.
Antes de sairmos ainda pegamos uma procisão-carnaval.

Chegamos
Mas já que eu falei de trânsito, vale ressaltar: puta que pariu! Sim, só isso sintetiza o transito de
Dentre os muitos que poderia citar vou ficar com o exemplo do, carinhosamente apelidado, “estagiário”. Estávamos eu e Lianna no centro da cidade, meio andando a esmo, meio procurando uma sorveteria indicada por um amigo, quando paramos em um cruzamento e começamos a observar o guardinha que comandava o trânsito. Muitas vezes ele mandava os carros pararem, sinalizando com o braço estendido na frente do corpo e a palma da mão aberta (uma espécie de Hi Hitler), e simplesmente os motoristas cagavam para a sinalização dele. Continuavam andando. Ele não perdia a posse: mudava rapidamente o gesto e passava a mandar os motoristas andarem ao invés de pararem. Ou seja, simplesmente ao invés dele controlar o trânsito, o trânsito o controlava. Teorizei que ele deveria ser estagiário.
Esse post vai ser só bla, bla, bla mesmo. No próximo post coloco os custos do hostal que ficamos, da passagem Copa - La Paz, da janta e e dicas de onde ficar, ok?
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Trilha tranqüila, muito bem marcada e praticamente toda plana (sobe-desce de leve). Cerca de
A ilha do Sol é uma ilha comprida, esticada, morfologicamente ao estilo de Ilha Grande. Esta trilha atravessa a ilha de ponta a ponta, longitudinalmente, sempre pela cumeada. Ou seja, quase sempre tínhamos uma visão dos dois lados da ilha.
Atravessar a ilha realmente foi um exercício e tanto, só que para o cérebro. Impossível olharmos para várias enseadas de areias brancas e águas verdes-angra clarinhas sem imaginar que estávamos no litoral. Em alguns trechos, alguns aglomerados de algas, vistos de cima, se assemelhavam a corais. Se colocássemos umas árvores e uns bugios, jurava que estava
Chegamos, no final da ilha (e da trilha), a uma espécie de platô, um campo aberto, com uma grande mesa de oferendas, que pouco a pouco foi recebendo músicos, nativos, xamas e uns poucos turistas para uma homenagem ao Solstício de verão. Percebemos que até o que deveria ser um transtorno, nesta viagem dava certo. Deveríamos ter entrado em direção ao vilarejo uns poucos kilometros antes (e perder a festa). Óbvio que resolvemos ficar e ver a cerimônia de oferendas.
Aproveitamos o começa-não-começa para vermos uma ruína um pouco mais a frente, está sim, literalmente no final da ilha.
Dica: independente de termos ido parar ali sem querer, aconselho a ida. Ruína interessante, plato idem e visual bacana. Essa prainha da foto com um ruína a direita, é lá.Música, ritual, roupas típicas, nativos, xamãs, simbolísmos, paisagem...
Esbaldamos-nos cada um na sua: Lianna quase em transe por encontrar, nestas condições, vários xamãs de uma só vez (ela pedia aos deuses que mandassem pelo menos um); Aline como a cinegrafista da vez e eu transtornado sem nem saber para onde apontava a câmera.
Dormimos mais uma vez em um hostel muito simples, na areia de uma “praia”. Conseguimos uma boa janta e fomos dormir torcendo para que o sol desse as caras no dia seguinte. Um mergulho seria sensacional.
Acordamos cedo e zarpamos rumo a Ilha do Sol. Desta vez para ficar. Compramos os bilhetes no próprio cais. Sem agência, sem guias. Existe uma bilheteria. 10 bolivianos.
Como seriam apenas duas noites e teríamos que andar muito atravessando a Ilha, deixamos as mochilas no depósito do Hostal em Copacabana e levamos uma só mochila com o mínimo necessário para os três. Afinal seriam quase 5 horas de caminhada.
Mais uma vê me impressionei com a mistura infra-estrutura para turismo versus estilo de vida tradicional. No fundo no fundo confesso que saí do Brasil achando que estava indo visitar vários buracos. Que passaria pelo subdesenvolvimento mais latente da américa latina. Que ficaria isolado em alguns locais sem cerveja e luz. Que bla, bla, bla bla e todas as baboseiras preconceituosas que nos temos com nós mesmo. Sim, nós mesmo!!! Você tem noção que no lago Titicaca, ali no cu da américa Latina, eu estou mais perto do Rio de Janeiro do que se estivesse em Belém? Em Manaus nem se fala. Eu me toquei que não sabia porra nenhuma de uma cultura que está aqui ao nosso lado, mais perto da gente do que a gente imagina. Enfim, vamos voltar as dicas...Encontramos muitos hostals transados e restaurantecos com guloseimas e cervejas em meio a monte de muros de pedras, lhamas e trigo para subsistência. Isso sem contar com a lan house aonde as crianças da ilha freqüentam para fazer suas pesquisas escolares.
Dormimos no vilarejo mais próximo a fronteira chamada Junguio. Acordamos cedo, conseguimos trocar alguns soles por bolivianos para nos virarmos momentaneamente assim que entrássemos na Bolívia e lá fomos nós de moto táxi em direção a fronteira.
Antes de sair do Brasil, li muitos relatos de falcatruas praticadas pela polícia na fronteira Peru – Bolívia, em ambos os lados. Policiais (mesmo) que exigiam seu passaporte na fila (normalmente em alguma repartição errada que vc tenha entrado) e depois de muita enrolação cobram para devolvê-lo. Ou te levavam para uma salinha e na revista te roubavam algo. Ou pessoas que se diziam policiais mas não apresentavam nenhuma identificação aplicando o mesmo golpe entre inúmeras outras variações de ações semelhantes. Na fronteira, não sentimos nenhum desconforto de que isso poderia acontecer, não vimos à possibilidade de entrar errado em algum outro prédio, vimos muita informação em cartazes nas paredes das repartições na fronteira, todas as pessoas sempre muito solicitas em nos ajudar quando pedíamos informações e quase nunca (nas fronteiras, nunca) éramos os únicos turistas. Quem pega ônibus no Rio de Janeiro, anda a noite pela Lapa, negocia cerveja com camelô na praia e freqüenta jogos no maracanã consegue se safar numa boa dessas furadas para turista. Como a Lianna comentou: faro fino e olho vivo. E só. Se acontecer, saiba se impor com decisão mas sem faltar com a educação, e não de seu passaporte. Esses relatos tomaram um vulto de lenda urbana. Todo tem uma história do vizinho do tio do irmão do cunhado que jura que aconteceu com alguem. Saí daqui aterrorizado e chegava sempre nas fronteiras rosnado e mordendo por isso. Foi uma neura em vão. Todos os casos concretos de falcatruas ou furtos que eu fiquei sabendo, foi mole do roubado. E sempre furto. Nenhum roubo.
Chegamos cedo em Copacabana e encontramos com duas amigas que estavam hospedadas em um hotel duas estrelas chamado UTAMA. Acabamos ficando nele para ficarmos todos juntos. Era um hotel bom com café da manha incluso, restaurante dentro e com frutas (leia banana), biscoitos e chás à vontade (de graça. Self-service) durante 24hs. O quarto mais simples para três pessoas com banho privado saía a $6 por cabeça. Caro para os padrões de preços bolivianos mas nenhuma facada. Deu para bancar o “patrão” e descansar um pouco o corpo. Recomendo.
Copacabana é uma cidadezinha pequena porém bem estruturada para o turismo. A beira do lado Titicaca em terras bolivianas, e muitíssimo mais agradável que Puno, é a porta de entrada para as Ilhas do Sol e da Lua, agora ilhas do lado Boliviano do lago. A Catedral de Nossa Senhora de Copacabana, padroeira do país, divide espaço com muitas casas de câmbio, restaurantes, cyber café e barzinhos descolados.
Ainda conseguimos neste mesmo dia fazer um passeio até a Ilha do Sol, lado sul. Pegamos um guia local, visitamos uma ruína e voltamos para Copacabana. Tudo muito rápido. Saímos as 13hs. Se quiser passear, não vá neste passeio de tarde.
Em Taquile, assim como em Amantani, não existe polícia e todos os problemas são resolvidos pela comunidade. Os habitantes vivem ainda mais tradicionalmente aqui. Não que esse primitivismo seja de todo bom: uma das coisas a serem consideradas como “modo de vida tradicional” é o fato de ser uma sociedade extremamente patriarcal e o machismo ser levado a sério. Mulheres jamais podem andar na frente dos homens. Em reuniões comunitárias, até podem participar mas nunca emitir opinião. Se desejarem, devem falar aos homens e esses sim relatam à idéia, como se fossem suas. Se houver algum problema entre duas mulheres, os homens responsáveis por elas é quem devem resolver. O Lugar ideal (rs... piada de argentino!)O passeio termina com um ótimo almoço. Em uma laje simples no topo da ilha, de cara para todo Lago Titicaca. Truta com papas frita. De novo las papas!
De volta a Puno, já no início da noite, nosso objetivo era dormirmos o mais próximo possível da fronteira, para atravessarmos no dia seguinte em direção a Copacabana, Bolívia. Pegamos um ônibus no terminal rodoviário em direção a Junguio.
Dica: se fizer este passeio e não desejar ficar em Puno na volta, se ligue com o horário. Ou irá dormir em um pulgueiro na fronteira por causa da hora (a “federal” fecha e não tem como dar a saída nem entrada no passaporte) ou terá que ficar em Puno mesmo. Ambos com seus prós e contras. Dormir no pulgueiro na fronteira te dará algumas horas de vantagem no dia seguinte. Dormir em Puno te dá mais conforto por não ter que viajar a noite em um cata-corno depois de um passeio de barco e tem mais opções de hotel. Nós optamos pela fronteira.
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Custos:
Janta no terminal de ônibus em Puno: 8 soles
Hostal em Junguio : 7 soles
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mais imagens em www.flavioveloso.com.br
Já contratamos o passeio sabendo que dormiríamos na casa de nativos mas não fazíamos a mínima idéia de como seria. Logo ao chegarmos percebemos que várias famílias da ilha estavam no cais a espera do barco, se organizando em fila de casais. O guia entregava cada três turistas a uma família que seria responsável pela acomodação e pela alimentação (janta e desayuno). Tivemos a sorte de cairmos em uma família jovem e cheia de crianças: duas meninas que tinham cara de sapeca, e um molequinho de uns 3 anos, que deveria ter uns 2 kilos de bochecha.
Ao sermos conduzidos caminhando pela ilha em direção a casa, ainda sem entendermos direito o que acontecia, começamos a nos deslumbrar com várias casa espalhadas pela Ilha. A primeira impressão foi de espanto pelo modo de vida agreste: uma ilha super fria a
Descansamos um pouco e logo fomos acordado pela Blanca (mulher de Pepe, temporariamente nossos "donos") para irmos com o grupo vermos o por do sol no topo da Ilha, nos arredores de um templo do Sol que só é aberto uma vez por ano.
Caminhada tranqüila. No caminho uma barraquinha de Picarrones e chá de muña. Picarrones é uma espécie de bolinho de chuva andino...espetácular! E Muña, que nos foi apresentada nesta ilha, é uma erva da família da menta, que só cresce nas condições climáticas dos Andes ( nos falaram que haveria tb na amazônia mas seria morfologicamente diferente. Não conseguimos confirmar isso). Tentamos trazer uns pézinhos em vão. Antes da próxima cidade, foi consumido. É um chá realmente bom. Muito melhor em termos de sabor que o chá de coca, com raízes de mito e largamente usado por eles.
Aqui vale uma parada para discutirmos o “cardápio”. Vou copiar e colar um email da Lianna para vocês terem uma idéia do que eu estou falando:“Agora, preparem-se com o cardápio:almuerzo: sopa de batata com Quinua (cereal super ultra nutritivo), prato principal: batata, batata-doce e queso (queijo).
Cena: sopa de batata com Quinua e adivinhem... Prato principal: sopa de batata (mais grossa) com huevo (ovo)!!!"
Ficamos abatatados com tanta batata.
Estamos literalmente reclamando de barriga cheia...cheia de batata. O passeio foi muito bom! Para tirar a impressão do abatatamento, no café da manhã Blanca preparou uma panqueca caseira com geléia de morango. Comprada por eles. Vejam que tratamento legal!
Realmente este passeio que inclui uma noite dormida na casa dos nativos em Amantani foi super interessante. Uma experiência antropológica tranqüila e sem traumas.Nos despedimos de Blanca, Pepe e das crianças, e seguimos em direção a Taquile, no mesmo barco, com os mesmos argentinos ( rs...).