terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Dormindo em Amantani - Ilha do LagoTiticaca. Lado Peruano.

Já contratamos o passeio sabendo que dormiríamos na casa de nativos mas não fazíamos a mínima idéia de como seria. Logo ao chegarmos percebemos que várias famílias da ilha estavam no cais a espera do barco, se organizando em fila de casais. O guia entregava cada três turistas a uma família que seria responsável pela acomodação e pela alimentação (janta e desayuno). Tivemos a sorte de cairmos em uma família jovem e cheia de crianças: duas meninas que tinham cara de sapeca, e um molequinho de uns 3 anos, que deveria ter uns 2 kilos de bochecha.

Ao sermos conduzidos caminhando pela ilha em direção a casa, ainda sem entendermos direito o que acontecia, começamos a nos deslumbrar com várias casa espalhadas pela Ilha. A primeira impressão foi de espanto pelo modo de vida agreste: uma ilha super fria a 4000 metros de altitude, isolada no meio de um lago... Fomos aos poucos nos entrosando, tomando conhecimento do dia-dia da comunidade e muitas coisas foram se descortinando. Percebemos que eles eram felizes com sua pequena comunidade, praticando subsistência (agricultura e pecuária), utilizando muita energia solar, explorando muito saudavelmente o turismo (e não o turista) e tomando as decisões comunitárias em comunidade (!!!). Reuniam o povoado para discutir sobre a colheita, as futuras plantações, os bichos, o turismo e os turistas, os casamentos, a manutenção do templo entre outras coisas. Enfim, fazem a alguns séculos o que chamamos hoje (e vislumbramos como futuro): o tal desenvolvimento sustentável e participativo. Marcio Ayres (Mamirauá) e Chico Mendes podiam facilmente ter bebido daquela fonte para montarem seus projetos. Percebemos que muitas das famílias que recebiam turistas investiam em arrumar um pouco a casa, ter um quartinho mais incrementado e adaptá-las para os costumes dos hóspedes. No nosso caso, por exemplo, ficamos em um quartinho muito simples mas notoriamente arrumado, com poucos enfeites cautelosamente ali colocados para nos agradar e com uma entrada independente.

Descansamos um pouco e logo fomos acordado pela Blanca (mulher de Pepe, temporariamente nossos "donos") para irmos com o grupo vermos o por do sol no topo da Ilha, nos arredores de um templo do Sol que só é aberto uma vez por ano.

Caminhada tranqüila. No caminho uma barraquinha de Picarrones e chá de muña. Picarrones é uma espécie de bolinho de chuva andino...espetácular! E Muña, que nos foi apresentada nesta ilha, é uma erva da família da menta, que só cresce nas condições climáticas dos Andes ( nos falaram que haveria tb na amazônia mas seria morfologicamente diferente. Não conseguimos confirmar isso). Tentamos trazer uns pézinhos em vão. Antes da próxima cidade, foi consumido. É um chá realmente bom. Muito melhor em termos de sabor que o chá de coca, com raízes de mito e largamente usado por eles.

Aqui vale uma parada para discutirmos o “cardápio”. Vou copiar e colar um email da Lianna para vocês terem uma idéia do que eu estou falando:

“Agora, preparem-se com o cardápio:almuerzo: sopa de batata com Quinua (cereal super ultra nutritivo), prato principal: batata, batata-doce e queso (queijo).

Cena: sopa de batata com Quinua e adivinhem... Prato principal: sopa de batata (mais grossa) com huevo (ovo)!!!"

Ficamos abatatados com tanta batata.

Estamos literalmente reclamando de barriga cheia...cheia de batata. O passeio foi muito bom! Para tirar a impressão do abatatamento, no café da manhã Blanca preparou uma panqueca caseira com geléia de morango. Comprada por eles. Vejam que tratamento legal!

Realmente este passeio que inclui uma noite dormida na casa dos nativos em Amantani foi super interessante. Uma experiência antropológica tranqüila e sem traumas.

Nos despedimos de Blanca, Pepe e das crianças, e seguimos em direção a Taquile, no mesmo barco, com os mesmos argentinos ( rs...).

**********************************************************
Não tivemos gastos nestes dias pois a hospedagem e a alimentação estavam inclusos. Tivemos apenas pequenos gastos com chocolate, agua, o lanche no por do sol... nada substancial que valesse ser anotado.
***********************************************************

mais imagens em: www.flavioveloso.com.br