
Cuzco realmente faz juz a toda sua fama e mística de capital, seja do império inca, ou "Capital Arqueológica da América". É um museu a céu aberto. Partindo do príncípio que você ficará nos arredores da Plaza das Armas, tudo a sua volta é histórico. Muitas igrejas, muitos casarios coloniais com suas fachadas e varandas talhadas, muita arquitetura contrastante ( incas x espanhóis ), o chafariz central, assim como a Praça que ele se localiza é um caso a parte. Vale sentar-se ali durante algumas horas e ver o tempo passar.
E por falar em sentar na praça, o único real incoveniente em Cuzco são os vendedores ambulantes. Uma espécie de flanelinhas das praças. Se você parar para ver as horas, para respirar, para amarrar o sapato, coçar a orelha, para qualquer coisa, já era: terá um vendedor ao seu lado educadamente, porém muito insistentemente, te convencendo a comprar os produtos dele. Pintura, porta-trecos, passeios, postais, roupa, casaco, tocas, luvas... Os mais cativantes são as crianças que vendem "toca para dedo". Elas sabem detalhes de qualquer país para pode chegar nos turístas. Nome do presidente, moeda, capital e meia dúzia de particularidades. Pronto. Foi o suficiente para você baixar a guarda e terás que ver a "toca de dedo" do inca, da lhama, do espanhol - prepare-se que o melhor vem agora - do chapeuzinho vermelho, do coelinho da páscoa, do chaves, do chapolim, da branca de neve, da cinderela e até do Sherek. Consegui parar a tempo de algum deles tirar o Pelé ou Ronaldinho e acabar me convencendo, em prol da criatividade, a comprar. Como no parasol de uma lente minha havia uma bandeira do Brasil, elas chegavam perguntando se eu era do Brasil. Ao responder que sim, elas falavam que eu era do "país do presidente Lula que só tinha quatro dedos em uma das mãos, cuja capital era brasília e a moeda era o real" ( entre aspas pq a frase não é minha...rs). E eu adoro criança. Não conseguiria interromper tamanha demonstração de jogo de cintura e criatividade. Depois da quinta ou sexta criança, para encurtar a negociação de paz, quando ela me perguntava de que país eu era, já respondia que era do país cujo presidente era o Lula, que só tinha quatro dedos em uma das mãos, cuja capital era Brasília e a moeda era o real...rs. Decepção e desarme total para eles. Triste mas necessário. Portanto prepare-se para falar muitas "gracias, no, gracias". Cheguei ao ponto de, depois de quase duas horas sentado esperando a melhor luz para fazer uma foto ( essa do chafariz ), não aguentar e pedir por favor para eles me deixarem ficar quieto curtindo a praça só um pouquinho...sem precisar não querer comprar nada. Acho que eu pedi com tanto carinho que até o policial que estava perto começou a me ajudar. Não vale se estressar até pq você é turísta. Para eles, estamos ali para comprar. Não adianta que não sejamos europeus ou americanos. Que sejamos "hermanos". Isso não cola. Para eles, você continua sendo uma fonte de renda ambulante e necessária. Apenas seja educado e prepare o espírito.


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